A Queda da CSN e o Desafio da Redução de Dívidas
Nos últimos quatro anos, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) passou de um período considerado histórico em 2025, quando a empresa apresentou resultados positivos e um fortalecimento em seus negócios, para uma crise financeira alarmante no final do ano passado. Sob a liderança de Benjamin Steinbruch, a companhia enfrenta uma pressão crescente de credores e reclassificações negativas por parte de agências de rating, como a S&P Global, que rebaixou a nota da empresa em novembro, seguida por Fitch e Moody’s. O balanço divulgado no dia 11 de janeiro evidencia a gravidade da situação.
A alavancagem financeira da CSN aumentou significativamente desde 2024, refletindo um cenário preocupante em 2025, que culminou em um prejuízo de R$ 1,5 bilhão, semelhante ao do ano anterior. Além disso, a empresa viu sua dívida líquida crescer e atingir R$ 41,2 bilhões, após uma redução no caixa que caiu R$ 9 bilhões em um ano, resultando em uma situação de fluxo de caixa livre negativa.
Estratégias para Reverter a Situação Financeira
Em uma teleconferência realizada no dia 12, Steinbruch buscou minimizar as preocupações dos investidores, argumentando que o aumento da alavancagem era pontual, atribuindo-o ao pagamento de juros e a um aumento nos investimentos. O CEO da CSN se mostrou otimista quanto à reversão dessa situação, prevendo resultados melhores já a partir do primeiro trimestre de 2026.
No entanto, as medidas para enfrentamento da crise financeira começaram a ser desenhadas em outubro, após o fechamento dos números do terceiro trimestre. De acordo com fontes, um plano foi elaborado para reduzir a dívida líquida, que estava se aproximando de R$ 40 bilhões, estipulando a venda de ativos e participações entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.
Movimentos de Vendas de Ativos e Foco no Futuro
A CSN, que é a pioneira na fabricação de aços planos no Brasil desde sua fundação em 1941, já tomou medidas concretas para buscar a redução do endividamento. No início de 2025, a empresa vendeu 11% de sua participação na CSN Mineração para a trading japonesa Itochu, gerando R$ 4,4 bilhões. O montante foi utilizado para reforçar o caixa da empresa, mas ainda assim não foi suficiente para estancar a escalada da dívida. No final do mesmo ano, a CSN vendeu 13% de sua participação na MRS, uma concessionária de ferrovias, para a própria mineradora, com uma transação que arrecadou R$ 3,35 bilhões, alinhando os recursos da CMIN ao caixa da controladora.
Com um objetivo claro de reduzir a dívida para níveis mais saudáveis, um plano elaborado em janeiro deste ano visa a conclusão das vendas até o quarto trimestre, priorizando a venda do controle da cimenteira da CSN e participação em holdings de infraestrutura nas regiões Sudeste e Nordeste.
Acúmulos de Desafios e Oportunidades
Enquanto a CSN já havia feito movimentos estratégicos anteriores, como a aquisição da Elizabeth Cimentos por R$ 1,1 bilhão, que elevou a empresa ao segundo lugar no mercado de cimento no Brasil, uma tentativa de aquisição da InterCement não se concretizou, o que, segundo alguns acionistas, pode ter sido uma bênção disfarçada dado o estado atual da companhia.
A companhia também investiu no setor elétrico, adquirindo diversas usinas em leilões, somando mais de R$ 3 bilhões em investimentos. Contudo, a alta da Selic, que subiu de 2% em 2021 para 15% atualmente, impactou diretamente a capacidade de pagamento da CSN, que gastou aproximadamente R$ 7 bilhões em juros no último ano.
Qualidade do Produto e Concorrência Externa
Steinbruch também aponta a concorrência internacional como um fator impactante nos resultados da CSN. A entrada massiva de aço importado, especialmente da China, tem afetado a demanda pelos produtos de alto valor agregado da empresa. Medidas governamentais contra práticas desleais de comércio podem oferecer um respiro à companhia, que atualmente é considerada a mais afetada por esse fenômeno.
A Reação do Mercado Financeiro
Após a divulgação dos resultados financeiros ruins, as ações da CSN enfrentaram uma queda acentuada de mais de 14%, fechando a R$ 6,10. Analistas expressaram preocupação com o aumento do endividamento da empresa, que surge em um contexto onde outras companhias com dificuldades financeiras, como GPA e Raizen, buscam proteção judicial.
Para investidores, a alavancagem da CSN é uma grande preocupação, especialmente em um ambiente de taxas de juros elevadas. A análise da equipe do Citi reforça a necessidade urgente de medidas para melhorar a estrutura de capital e evitar uma deterioração ainda maior.
Desde 2021, as ações da CSN sofreram uma desvalorização significativa, reflexo de um contexto financeiro desafiador. Enquanto em 2021 as ações estavam cotadas a R$ 24,99, atualmente, o valor caiu para R$ 8,94, resultando em uma redução de um terço do valor de mercado da empresa.
