show especial e documentário em Comemoração
Na próxima sábado, 2 de setembro, a banda paraense Baixo Calão fará uma grande celebração em Belém, marcando seus 30 anos de história. A apresentação ocorrerá no Studio Pub, a partir das 18h, e contará com as participações especiais das bandas Kamboia, Sisa e Rancor. Este show, além de ser uma festa para os fãs, será filmado para a produção de um documentário biográfico que deve ser disponibilizado até o fim deste ano nas plataformas digitais.
Formada em 1996 pelo vocalista Leandro Porko e seu irmão, a banda tem suas raízes no Conjunto Maguari, na periferia de Belém. Ao longo de sua carreira, lançou três álbuns completos e diversos EPs, colaborando com grupos de diversas partes da América Latina e Europa durante suas turnês.
Seu primeiro EP, intitulado “Homo Postumus”, foi lançado em 2002 de maneira independente e marcou uma transição para o estilo grindcore, abrindo portas para novas gravações, incluindo um álbum completo lançado em 2010, que possibilitou sua chegada à Europa em 2012.
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Fonte: olhardanoticia.com.br
A Identidade e a Resistência nas Letras
As letras da Baixo Calão, escritas em português, abordam temas como angústia e questões sociais, refletindo a conjuntura política e as injustiças enfrentadas pela sociedade. William Gomes, o baterista da banda desde 1997 e o membro mais antigo, compartilha a importância desse marco: “São 30 anos de muita resistência naquilo que nos propusemos a fazer. É uma data significativa, que ilustra nossa longa trajetória no meio underground. O show resgata nossas vivências e homenageia todos que fizeram parte da banda, incluindo a cantora Monise, que infelizmente faleceu.”
Documentário: Uma Perspectiva Antropológica
O filme, que será um componente-chave na celebração do aniversário da banda, é um projeto aprovado no edital 02/2025, focado no fomento à criação de projetos culturais. A direção fica por conta de Alexandre Nogueira, e o documentário buscará não apenas contar a história cronológica da Baixo Calão, mas também oferecer uma visão antropológica e social sobre a realidade de uma banda underground que sobreviveu ao longo dos anos. “Vamos explorar as dores, as dificuldades e as vitórias, enquanto cada um vive sua realidade, muitas vezes conciliando a música com outras áreas de atuação,” detalha William.
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Um Show de Conexão com o Público
Leandro Porko, vocalista e fundador da banda, enfatiza que o evento representa a essência que sempre fortaleceu o grupo: “Fazer música que conecte o público, tanto nas letras quanto na energia que criamos em cima do palco. Nunca tivemos registros de violência em nossos shows, mas sim uma intensa catarse entre nós e a plateia.”
Ele também ressalta que, ao olhar para os 30 anos de trajetória, a banda sempre esteve mais focada no presente do que em antecipar o futuro: “Nunca pensamos na longevidade da banda ou nas turnês internacionais. O que importa para nós é a conexão mantida com o público ao longo dos anos.”
Desafios Enfrentados na Década de 90
William relembra que os anos 90 foram um período complicado para a banda, repleto de desafios de estrutura e logística. “A cena musical em Belém era dominada por bandas mais estabelecidas, e nós, por estarmos na periferia, não fazíamos parte dessa rede. Naquela época, as apresentações eram sempre das mesmas bandas, formando um círculo restrito. Enfrentávamos dificuldades de acesso a materiais e equipamentos, por isso, adotávamos a filosofia do ‘faça você mesmo’.”
A amizade entre William e Leandro foi crucial para impulsionar a cena do rock nas periferias, inclusive abrangendo a cidade de Marituba. “Enquanto a Baixo Calão se dedicava ao hardcore, eu tinha uma banda de death metal, mas a nossa parceria foi além do gênero musical, ajudando a abrir espaço para novas apresentações e outras bandas,” finaliza William, ressaltando a importância da colaboração na música.
