Investimento em meio a investigações
A Super, uma empresa ressaltada pela Polícia Federal, é vinculada a práticas de crimes financeiros e lavagem de dinheiro, associada ao grupo que tem como figura central o miliciano Vorcaro. Ele e seus associados, conhecidos como a “turma”, eram responsáveis por atividades ilícitas, incluindo serviços prestados pelo sicário Luiz Felipe Mourão.
Conforme documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Zettel foi diretor da empresa entre 2021 e 2024. A informação foi revelada na declaração de Imposto de Renda de Zettel realizada em 2022, que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado solicitou à Receita Federal.
Na referida declaração, Zettel revelou ter feito um aporte de R$ 48,5 milhões na empresa, caracterizado como um adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC). Isso significa que ele transferiu valores para a Super, evitando o pagamento do imposto sobre transações financeiras (IOF), normalmente exigido em aportes relacionados ao aumento do patrimônio social de uma empresa.
O G1 tentou contato com as defesas de Vorcaro e Zettel, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Além disso, a declaração do Imposto de Renda de Zettel indica que, em 2022, seu patrimônio totalizava R$ 189 milhões, composto em grande parte por imóveis e participações em empresas, incluindo a Super. No mesmo período, ele adquiriu R$ 15 milhões em joias e relógios.
A análise da declaração revela que o patrimônio de Zettel quase triplicou entre 2021 e 2022, passando de R$ 67,4 milhões para R$ 189,7 milhões. Adicionalmente, a declaração aponta que o pastor gerou R$ 139 milhões em receitas por meio de seu escritório de advocacia e contribuiu com R$ 5 milhões para campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A atuação do ‘Sicário’
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, popularmente conhecido como “Sicário” de Vorcaro, ganhou notoriedade após sua prisão durante a Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras associadas ao Banco Master. As investigações revelaram que Mourão desempenhava um papel crucial dentro da organização criminosa, realizando ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados de sistemas sigilosos, além de ações de intimidação física e moral.
Os investigadores destacam a existência de uma “dinâmica violenta”, evidenciada pelas conversas trocadas entre Vorcaro e Mourão, que indicam a função de Mourão como ‘longa manus’ – um termo jurídico que se refere a um agente agindo em nome de outro. O relatório das investigações sugere ainda que ele recebia uma remuneração de 1 milhão de reais mensais de Vorcaro pelos serviços ilícitos que executava.
