Desfecho Trágico do Resgate
Um boto-cor-de-rosa resgatado em Belém enfrentou um desfecho triste ao falecer, mesmo após receber cuidados no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Benevides e ser transferido para o Instituto Bicho D’Água, em Castanhal. O animal, que apresentava escoriações severas, desnutrição e estresse, evoluiu positivamente por um período, mas infelizmente sucumbiu na madrugada de quarta-feira (18).
Desde o momento do resgate, a equipe de profissionais notou a gravidade do estado do cetáceo. Inicialmente, houve progresso, com o animal se alimentando e exibindo atividade, mas a melhora foi temporária. À noite, sua condição se deteriorou rapidamente, levando ao falecimento por volta das 4h no instituto.
Ação Integrada pelo Bem da Fauna
O atendimento ao boto-cor-de-rosa foi parte do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos das Bacias Pará-Maranhão e Foz do Amazonas. Essa ação está vinculada ao licenciamento ambiental federal promovido pelo Ibama, com foco nas atividades da TGS na Margem Equatorial. Em nota, tanto o Ibama quanto o Instituto Bicho D’Água expressaram seu pesar pela morte do animal, ressaltando que todos os esforços foram feitos para sua recuperação.
Fatores Ambientais e o Resgate
O boto foi encontrado no Canal União, na bacia do Tucunduba, no bairro do Marco, em Belém. Especialistas sugerem que as chuvas intensas e a maré alta podem ter contribuído para a desorientação do animal, arrastando-o para aquela área. Leonel Ferreira, educador ambiental do Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), explica que a força das águas pode ter levado o cetáceo a se perder em meio à correnteza.
A presença do boto em uma área urbana gerou grande interesse e preocupação entre os moradores. Ferreira enfatiza que as transformações nos cursos d’água, ocasionadas pela urbanização descontrolada ao longo do tempo, têm um impacto significativo na fauna local. O local onde o animal foi resgatado já foi um rio, mas a urbanização e o crescimento das cidades alteraram irreversivelmente a dinâmica natural da região.
Desafios das Mudanças Climáticas
Além das mudanças provocadas pela urbanização, Ferreira alerta para o papel das mudanças climáticas na vida dos cetáceos. Ele afirma que estas influenciam o comportamento dos animais, e o avanço das áreas urbanas em habitats naturais pode resultar em frequentes interações problemáticas entre seres humanos e a fauna.
Importância da Colaboração Comunitária
O resgate do boto-cor-de-rosa teve o apoio crucial da comunidade local, que rapidamente acionou os órgãos competentes e ajudou a evitar o estresse adicional ao animal. O especialista destacou que a atitude dos moradores foi vital para o sucesso da operação, reforçando a importância da colaboração da população em situações de resgate de animais silvestres.
O Corpo de Bombeiros também foi acionado e participou do isolamento da área, contando com o suporte do Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) para garantir um resgate eficaz. Veterinários e biólogos foram fundamentais na delicada operação de retirada do cetáceo do canal e seu transporte para a Ufra.
Orientações para a População
Especialistas alertam que, ao se deparar com animais silvestres em áreas urbanas, a orientação é para que as pessoas não se aproximem nem tentem capturar os animais. O Ibama recomenda que a população denuncie a presença de fauna em risco pelo telefone 0800 61 8080, ajudando a proteger a vida selvagem em nosso estado.
