Pacto pela Voz das Infâncias: Um Compromisso Com a Escuta e a Participação
No último mês de março de 2026, em Brasília, o evento intitulado “As Vozes das Infâncias nas Políticas Públicas – Legados da COP30 para a Educação Ambiental e a Democracia Climática” reuniu crianças, adolescentes, representantes do governo, educadores e membros da sociedade civil. O foco do encontro foi discutir a importância da participação ativa das infâncias nas políticas públicas relacionadas ao meio ambiente e à agenda climática.
Promovido pelo Departamento de Educação Ambiental e Cidadania (DEA) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o evento ressaltou as reivindicações dos jovens para o cumprimento dos compromissos assumidos durante a COP30, a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, realizada em Belém (PA) no ano anterior.
Um momento crucial do encontro foi o lançamento do “Pacto pelas Vozes das Infâncias nas Políticas Públicas – Por uma Democracia Climática Intergeracional e Permanente”. O documento, elaborado com a contribuição de diversas instituições dedicadas à promoção da participação social e à proteção das infâncias, busca garantir que as vozes dos jovens sejam ouvidas nas deliberações e políticas ambientais.
Legado da COP30: A Importância da Participação Social
Durante o evento, representantes de várias regiões do Brasil manifestaram apoio ao pacto, que está aberto para adesão de instituições que desejem fortalecer essa iniciativa. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a relevância de considerar as diferentes fases da infância ao construir políticas efetivas. Ela frisou: “Precisamos parar de queimar e desmatar, avançando na construção do pacto que representa as vozes das infâncias nas políticas públicas.” Silva enfatizou que a efetividade das políticas depende da participação ativa da sociedade.
O pacto proposto sugere uma democracia climática que seja intergeracional, estruturada e permanente, estabelecendo compromissos para assegurar que crianças e adolescentes possam contribuir na formulação de políticas públicas ambientais e nas discussões das Conferências das Partes (COPs).
A Continuidade das Ações Ambientais: Um Desafio Diário
Marcos Sorrentino, diretor do DEA, destacou que o pacto visa garantir a continuidade das ações ambientais. “Os grandes eventos têm um papel mobilizador, mas as mudanças necessárias para o Brasil e o mundo precisam ser construídas diariamente, no cotidiano de cada um”, afirmou Sorrentino, sublinhando a importância da manutenção do engajamento após os grandes encontros.
No encontro, também foi exibido o minidocumentário “Benevides – As vozes das crianças da Amazônia”, realizado pelo grupo Allma em parceria com a prefeitura de Benevides (PA). O filme apresenta depoimentos de estudantes locais sobre as mudanças climáticas e a preservação ambiental. Luziane Solon, prefeita de Benevides, aproveitou a ocasião para compartilhar as iniciativas de educação ambiental que estão sendo realizadas no município.
Vozes da Nova Geração: Compromisso com o Futuro
O estudante Miguel Peixoto, de 14 anos, que estuda no Centro de Ensino Médio 09 de Ceilândia (DF), expressou sua visão sobre a importância da preservação: “Preservar a natureza é preservar vidas e garantir dignidade às presentes e futuras gerações.” Miguel foi delegado do DF na VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente em 2025.
Outro participante, João Vitor Kaeder, de 11 anos, destacou que “as crianças realmente se importam com a natureza”. Ele viajou a Brasília com a família para participar do evento, refletindo a dedicação dos jovens em se envolver nas questões ambientais.
O filme exibido marcou o lançamento nacional do documentário e trouxe respostas criativas de estudantes a questões sobre como os líderes mundiais poderiam se comprometer a enfrentar a mudança climática. Também foi apresentado um vídeo produzido por alunos do Centro de Ensino Fundamental 26 de Ceilândia, abordando “As vozes da periferia na COP 30”, e uma exposição de desenhos sobre a temática ambiental foi aberta no saguão do MMA.
O evento se encerrou com a apresentação do longa “O Diário de Pilar na Amazônia”, que foca na centralidade das infâncias e da cultura amazônica em relação à política climática contemporânea. Após a exibição, houve um debate com a autora da série “Diário de Pilar”, Flávia Lins, reforçando a importância de incluir a perspectiva das infâncias nas discussões climáticas.
