Desfiles Coloridos e Cheios de Emoção
O Carnaval de Belém, mesmo sob uma leve chuva, contou com a presença entusiasmada do público, que fez questão de prestigiar os desfiles das escolas de samba. “Com chuva ou sem chuva, o Carnaval de Belém é maravilhoso. Eu torço por todas as escolas, porque o carnaval para mim é tudo”, afirma Joana Evangelista, uma das espectadoras que não deixou o tempo nublado diminuir sua alegria.
No primeiro dia de apresentações, realizado na sexta-feira (27), a Associação Carnavalesca Xodó da Nega foi a precursora, trazendo à avenida o enredo “Eu vou me banhar de manjericão nas terras da Cremação”. Este desfile celebrou as tradições e símbolos do bairro da Cremação, destacando a riqueza da identidade cultural local através de uma performance vibrante e repleta de elementos da cultura popular.
Logo em seguida, a Associação Carnavalesca Social Beneficente Embaixada do Império Pedreirense apresentou seu enredo “Xapuri, Pará, Paris, ulalá mon chéri – A Embaixada canta Nazaré Pereira”. A homenagem à renomada cantora Nazaré Pereira não passou despercebida e destacou sua trajetória e contribuição à cultura amazônica, tocando o coração do público.
Homenagens que Enaltecem a Cultura Local
A Acadêmicos de Samba da Pedreira fez sua apresentação com o enredo “Quem disse que acabou?”, enfatizando a força do samba como uma expressão de resistência cultural e identidade popular. O desfile trouxe uma mensagem poderosa sobre a importância da música e da dança na luta pela valorização da cultura local.
Para encerrar o primeiro dia de desfiles, a Bole-Bole emocionou os presentes com o enredo “Mãe Josina do Guamá: o solo sagrado da cultura popular”. Esta homenagem à Mãe Josina de Averequete, a fundadora do mais antigo terreiro de Belém, ressaltou a ancestralidade afro-paraense, trazendo à tona a riqueza espiritual e cultural das tradições de matriz africana.
A Matinha foi a primeira escola do segundo dia, trazendo o enredo “Iá! É na Matinha, que a Padilha vai girar!”. Este desfile prestou uma homenagem à figura feminina de Maria Padilha e destacou a importância das religiões de matriz africana e afro-indígena na formação cultural do Brasil, reafirmando a conexão entre fé e identidade.
A Celebração da Fé e da Tradicionalidade
Os Boêmios da Vila Famosa seguiram com o enredo “Folia para Antônio, o Santo milagroso”, celebrando a devoção popular a Santo Antônio e como a fé permeia as festas da cultura brasileira. O desfile evidenciou a alegre mistura entre religiosidade e folclore, envolvendo o público em uma atmosfera de celebração.
O Império de Samba Quem São Eles, que se prepara para comemorar 80 anos de história em 2026, também fez sua parte ao apresentar o enredo “Pelos Caminhos das Águas”. A escola abordou a navegação como um meio de conexão entre diferentes povos e territórios, trazendo à tona a importância da diversidade cultural na região amazônica.
Finalizando a noite de desfiles, a Deixa Falar trouxe à avenida o tema “Minha vida é um carnaval”, relembrando sua trajetória ao longo de mais de trinta anos de história, com referências marcantes à comunidade da Cidade Velha. A emoção e a nostalgia marcaram a performance, deixando claro como a escola se tornou um símbolo da cultura carnavalesca belenense.
Fernando Guga, presidente das Escolas de Samba Associadas (ESA), avaliou que a segunda noite de desfiles confirmou ainda mais a força do carnaval de Belém. Ele ressaltou a competitividade entre as escolas e a vibrante presença do público, que, mesmo diante da chuva, não hesitou em experimentar a magia do evento.
