Faryal Khan: Uma História de Superação e Determinação
No laboratório da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), uma cientista vestida com um jaleco e um véu desafiou minhas expectativas. Conheci Faryal Khan, uma paquistanesa de 30 anos, que chegou ao Brasil recentemente para dar início ao seu doutorado no Programa de Pós-graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas, sob a orientação do professor Robinson Sabino da Silva. Fiquei intrigado com a pesquisa que ela e sua equipe desenvolvem para detectar metanol em bebidas alcoólicas, um projeto que ganhou destaque nas redes sociais durante a crise sanitária no Brasil, alcançando mais de meio milhão de visualizações. Nossa conversa, cheia de cordialidade, fluiu em inglês enquanto ela compartilhava suas experiências e aspirações.
Originária de Kohat, uma cidade paquistanesa cercada por colinas, Faryal é a filha mais velha de uma família de cinco irmãos. Com uma formação sólida em Microbiologia e um mestrado em Microbiologia Médica pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Kohat, ela possui publicações em áreas variadas como nanotecnologia, segurança alimentar e saúde pública, além de experiência como professora de Ciências e Biologia.
Desafios Enfrentados por Mulheres Paquistanesas na Educação
A chegada à Uberlândia representa sua primeira experiência fora do Paquistão. Faryal é uma bolsista do Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras e está focada em desenvolver métodos de diagnóstico precoce de doenças através da análise da saliva, buscando uma solução rápida, confiável e repetível.
Durante nossa conversa, confessei a Faryal que minha visão sobre as mulheres paquistanesas era limitada. Ela destacou as dificuldades que muitas enfrentam para prosseguir com os estudos, mas enfatizou o apoio incondicional de sua família, que foi crucial para sua trajetória. Um dado alarmante do censo de 2023 revela que apenas 9,4% da população do Paquistão possui ensino superior, evidenciando a desigualdade educacional. Muitas jovens enfrentam barreiras como casamentos infantis, falta de escolas, escassez de transporte seguro e a pobreza que as obriga a trabalhar.
As dificuldades enfrentadas pelas meninas no Paquistão são inúmeras. Malala Yousafzai, uma das ativistas mais conhecidas no mundo, luta pelos direitos educacionais de meninas, tornando-se um símbolo de resistência e esperança.
Faryal Khan e a Ciência: Um Futuro Promissor
Ao saber da presença de uma pesquisadora paquistanesa na UFU, lembrei-me da série “Mulheres e Meninas na Ciência”, promovida anualmente pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social. Nela, são destacados perfis e entrevistas com mulheres cientistas, divulgados entre 11 de fevereiro, Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, e 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Faryal aceitou participar da série, e abaixo trago alguns trechos de nossa entrevista.
Currículo e Trajetória
“Sou Faryal Khan, doutoranda em Imunologia e Parasitologia Aplicadas na UFU. Minha paixão pela ciência começou na infância, quando me inspirei em Florence Nightingale e em personagens como as Meninas Superpoderosas, que ajudavam as pessoas e faziam experimentos. Desde então, busquei entender como melhorar a saúde através de abordagens diagnósticas e terapêuticas mais eficazes,” relatou Faryal.
Ela ainda afirmou que sua pesquisa atual, focada na análise da saliva, pode revolucionar o diagnóstico precoce de doenças. “Esse fluido biológico é uma fonte riquíssima de informações sobre a saúde do corpo humano,” destacou.
Desafios e Rotina na Pesquisa
Faryal compartilhou que a rotina de uma cientista é desafiadora, exigindo foco e atenção aos detalhes. “O dia é repleto de compromissos e prazos, o que torna fundamental equilibrar a vida pessoal e profissional para manter a saúde mental,” explicou. Em seu tempo livre, gosta de jardinagem e organização, práticas que lhe trazem serenidade.
Experiência no Brasil e Oportunidades para Mulheres
Sobre sua experiência de mudança para o Brasil, Faryal comentou: “Foi uma decisão difícil, pois nunca havia viajado tanto. Quis buscar uma experiência internacional para meu doutorado, pois acreditava que isso iria enriquecer minha formação.” Ela destacou a amabilidade dos brasileiros, que a acolheram e a ajudaram, apesar das dificuldades com a língua. “As pessoas são muito educadas e sempre dispostas a ajudar,” elogiou.
Antes de encerrar, Faryal falou sobre as barreiras que mulheres enfrentam na ciência. “Precisamos criar um ambiente mais acolhedor e oportunidades para mulheres, como bolsas de estudo e mentorias, para que possam prosperar em suas carreiras,” enfatizou.
Sonhos e Aspir ações
Por fim, Faryal expressou seus sonhos: “Desejo realizar um pós-doutorado e voltar ao Paquistão para ajudar a desenvolver a pesquisa local, especialmente entre mulheres. Acredito que, ao educar uma mulher, estamos moldando uma sociedade mais saudável e instruída.” Sua trajetória é uma verdadeira fonte de inspiração, não apenas para meninas paquistanesas, mas para todas as mulheres que sonham em seguir na ciência.
