Transformação Cultural em Belém
Belém, no Pará, abraça a ideia de que a arte deve ser acessível a todos, o que se torna um pilar essencial para a cidadania e o desenvolvimento cultural. O projeto “Arte que Transforma – Murais Coletivos Amazônicos”, idealizado pela artista visual Mama Quilla, visa revitalizar espaços públicos da cidade por meio da arte urbana. A proposta, que busca não apenas embelezar a cidade, mas também promover a inclusão social e a valorização da cultura local, se destaca pela democratização da arte.
A democratização da arte busca romper barreiras, proporcionando acesso a produções artísticas para todas as classes sociais, especialmente nas regiões periféricas. Mama Quilla destaca que a ideia surgiu da necessidade de tornar a arte ainda mais inclusiva. “Percebi que muitas pessoas, especialmente aquelas com deficiência visual, ainda encontram dificuldades para acessar a arte. O projeto surgiu do desejo de usar a arte urbana como uma ferramenta de transformação social que valoriza nossa identidade amazônica e garante que a arte possa ser sentida por todos”, revelou a artista.
Oficinas Criativas e Murais Coletivos
O projeto inclui a criação de murais coletivos que trazem a fauna e flora da Amazônia como tema, sempre com a participação ativa da comunidade. “Além da produção dos murais, realizamos oficinas gratuitas de formação artística voltadas especialmente para jovens, ampliando o acesso à arte e incentivando o desenvolvimento de habilidades nas artes visuais”, explicou Mama Quilla.
Recentemente, no dia 6 de outubro, uma oficina de muralismo foi realizada na Escola Estadual Lauro Sodré. No dia 9, ocorreu uma oficina de murais táteis, onde Mama Quilla ensinou práticas artísticas acessíveis, permitindo que pessoas cegas e com baixa visão possam interagir com a arte por meio do toque.
“O projeto é dividido em etapas. Começamos com oficinas gratuitas, seguidas pela criação coletiva dos murais. Entre esses, destacam-se os murais táteis, compostos por relevo, braille e com áudio descrição, que serão instalados em espaços públicos e educacionais de Belém. Essa abordagem deixa um legado artístico acessível e inclusivo”, destacou a artista.
Próximos Passos e Expansão do Projeto
No dia 11 de outubro, será a vez do Instituto José Álvares Azevedo receber a Oficina de Criação Tátil em Biscuit e Braille, ministrada por Hugo Figueiredo, além de uma oficina de arte e pintura. “As oficinas não só contribuem para a criação de murais em espaços públicos, mas também para que instituições educacionais como a Escola Estadual Lauro Sodré e o Instituto José Álvares Azevedo recebam murais táteis. Dessa forma, ampliamos o alcance do projeto e fortalecemos nosso compromisso com a acessibilidade cultural”, afirmou Mama Quilla, visivelmente emocionada com o andamento da iniciativa.
Ela ainda enfatizou a importância do projeto: “Realizar um projeto que amplia o acesso à arte para pessoas que historicamente foram excluídas é muito poderoso. Ver a arte sendo sentida e vivida por esse público reforça o propósito do meu trabalho e confirma que a arte tem o poder de transformar.”
Os planos de Mama Quilla vão além. A artista aspira levar o projeto para outros espaços, alcançando cada vez mais pessoas e possibilitando que a arte esteja presente no cotidiano de todos. “A intenção é que o projeto continue se expandindo, alcançando mais comunidades e promovendo murais táteis e ações formativas acessíveis. Desejamos que a arte inclusiva faça parte do dia a dia da cidade e da região”, concluiu.
