CAF amplia investimentos para fortalecer a economia azul no Brasil
O Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) definiu o compromisso de aplicar US$ 2,5 bilhões em iniciativas relacionadas à economia azul até 2030. Os esforços abrangem 16 estados brasileiros, beneficiando diretamente cerca de 65 cidades, conforme anunciou Carlos Charme, representante da instituição no Brasil, durante o evento “Brasil Azul”, realizado em 11 de julho. A iniciativa visa conectar prioridades regionais a fundos verdes e linhas de crédito concessional, que oferecem taxas de juros abaixo da média e prazos mais longos.
Setores e impactos econômicos da economia azul no Brasil
Os projetos apoiados englobam áreas como saneamento, turismo, pesca, logística, energia, biodiversidade e resiliência climática. O objetivo é preservar os oceanos, fortalecer comunidades costeiras e impulsionar práticas sustentáveis, incluindo turismo responsável, pesca sustentável e restauração de ecossistemas marinho-costeiros. Carlos Charme ressaltou que o Brasil é uma potência oceânica, com 17 estados litorâneos e 279 municípios costeiros, que abrigam ativos naturais estratégicos como manguezais, estuários e recifes, essenciais para a economia.
Segundo Charme, as atividades diretamente ligadas à economia azul representam aproximadamente 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse impacto pode ultrapassar 6% quando considerados os efeitos indiretos em outros setores produtivos. Para o representante do CAF, investir no mar e nas regiões costeiras significa também fomentar emprego, inovação, infraestrutura resiliente e desenvolvimento regional.
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Histórico e avanços do CAF em economia azul no Brasil
O CAF já atua no Brasil há mais de 15 anos, com projetos que antecedem a popularização do termo “economia azul”. Em Fortaleza, por exemplo, os investimentos apoiaram iniciativas como arborização, drenagem sustentável, recuperação de espaços públicos, fortalecimento da Agência do Mar e desenvolvimento da agenda municipal de economia azul. “Fortaleza é uma cidade aberta para o mar, e sua experiência revela tanto o potencial quanto os desafios da economia azul sustentável no país”, afirmou Charme.
Meta atual é o dobro da anterior e segue nova estratégia do CAF
A meta de US$ 2,5 bilhões representa o dobro do valor planejado anteriormente, que era de US$ 1,25 bilhão. Essa marca foi superada antecipadamente, com US$ 1,32 bilhão investidos em projetos entre 2022 e 2025. Os recursos seguem as diretrizes da nova estratégia do banco para a economia azul sustentável, que estabelece um marco abrangente para o desenvolvimento de sistemas produtivos sustentáveis relacionados aos oceanos.
A estratégia do CAF está estruturada em cinco eixos principais: gestão produtiva e conservação de recursos marinho-costeiros; incentivo a energias renováveis oceânicas e redução da pegada de carbono; promoção de turismo e recreação sustentáveis que beneficiem comunidades locais; inovação e tecnologia aplicada à biotecnologia marinha, infraestrutura digital e engenharia offshore; e fortalecimento de governança, com marcos legais, políticas públicas e articulação entre setores.
Esse plano reforça a importância de direcionar investimentos para preservar os oceanos e apoiar as comunidades que dependem diretamente deles, consolidando a economia azul como um vetor estratégico para o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe.
