El Niño já influencia o clima global e preocupa o Rio Grande do Sul
A agência climática dos Estados Unidos confirmou que o fenômeno El Niño já está atuando e pode se intensificar no inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte. Segundo o boletim divulgado, há 63% de chance de que este El Niño seja muito forte, possivelmente um dos maiores desde 1950. Essa previsão acende o alerta no Rio Grande do Sul para a possibilidade de chuvas extremas, cenário que traz lembranças da tragédia climática recente.
O fenômeno já vinha se desenvolvendo no primeiro semestre de 2026, após meses de aquecimento gradual do Oceano Pacífico. Em maio, a probabilidade de ocorrência do El Niño era ainda maior, chegando a 82%. A confirmação atual reforça a necessidade de atenção especial para os impactos que podem se manifestar na região.
O que é o El Niño e seus efeitos no clima
O El Niño é parte de um fenômeno climático maior chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que inclui também a fase oposta, a La Niña. Enquanto o El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, com aumento igual ou superior a 0,5ºC, a La Niña provoca um resfriamento dessas águas.
Esse aquecimento do Pacífico altera a circulação dos ventos, além da distribuição de calor e umidade, o que interfere diretamente nos padrões climáticos globais. No Brasil, o El Niño costuma provocar secas nas regiões Norte e Nordeste, mas aumenta significativamente as chuvas no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul.
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Impactos práticos do El Niño no Rio Grande do Sul
Um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado em 2025 na revista Communications Earth & Environment, analisou dados de 45 anos sobre a vazão de rios em 788 estações da América do Sul. A pesquisa concluiu que o El Niño eleva a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, que abrange parte do território gaúcho.
A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, compara a intensidade do El Niño atual à de 2023, projetando que os efeitos locais comecem a aparecer ainda no inverno, com o maior risco concentrado na primavera. Essa estação, historicamente, já registra eventos de precipitação intensa na região Sul do país.
Preparação e desafios para evitar novas tragédias
O pesquisador Rodrigo Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, ressalta que embora seja difícil prever uma cheia com a magnitude da de 2024, a presença do El Niño exige um reforço nas medidas preventivas. Entre as ações recomendadas estão investimentos na Defesa Civil, aprimoramento dos sistemas de previsão e reconstrução de infraestrutura, como pontes e estradas, com foco em resiliência para suportar os efeitos das mudanças climáticas.
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Paiva alerta que a maior vulnerabilidade permanece em Porto Alegre, onde o sistema de proteção contra cheias – formado pelo Muro da Mauá, diques e casas de bombas – foi gravemente danificado e ainda não está totalmente recuperado. Segundo apresentações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), apenas parte das falhas foi solucionada, com a maioria das obras ainda em andamento ou em fase de projeto.
Memória da tragédia e a importância da continuidade das ações
O especialista do IPH destaca que a preparação precisa ser constante, pois eventos extremos podem ocorrer a qualquer momento. A memória recente da população sobre a tragédia de 2024, que deixou mais de 180 mortos e afetou quase 95% dos municípios gaúchos, ajuda na mitigação de danos. No entanto, Paiva defende que a resposta da sociedade e das autoridades seja consolidada por meio de planos permanentes para garantir maior segurança no futuro.
O Rio Grande do Sul enfrenta um momento decisivo para reforçar sua capacidade de enfrentar eventos climáticos extremos, com o El Niño atuando como um sinal de alerta para a necessidade de ações rápidas e eficazes.
