Floresta urbana em Belém abre para pesquisa colaborativa
Você sabia que pode transformar seu celular em uma ferramenta para ajudar a mapear a biodiversidade sem sair de Belém (PA)? No próximo dia 23 de maio, das 9h às 12h, a Embrapa Amazônia Oriental abrirá a Capoeira do Black, um fragmento florestal em regeneração localizado na sede da instituição, para uma trilha guiada na floresta.
Essa ação integra a Semana Nacional da Biodiversidade e convida o público para uma imersão na natureza, com o objetivo de observar e registrar fauna, flora e fungos de forma colaborativa. A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas, sendo necessária inscrição prévia.
Ciência cidadã e tecnologia a serviço da biodiversidade
O evento é promovido pelo Centro Capoeira, coordenado pela Embrapa e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele faz parte da Aliança pelo monitoramento participativo da Biodiversidade Brasileira (AmpBio), uma iniciativa nacional que ocorre entre 18 e 24 de maio.
Durante a atividade, os participantes usarão o aplicativo gratuito iNaturalist para fotografar espécies de plantas e animais. A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa, explica que essa abordagem, conhecida como “ciência cidadã”, permite que qualquer pessoa contribua com uma base de dados global, que passa por curadoria científica para garantir a qualidade das informações. “Esse processo colaborativo gera dados valiosos para pesquisas científicas ao redor do mundo”, destaca Joice.
Trilhas guiadas acessíveis para todas as idades
Serão realizadas três expedições na Capoeira do Black, com saídas às 9h, 10h e 11h, cada uma com duração aproximada de 50 minutos. Os participantes devem usar roupas confortáveis, preferencialmente calça, e calçados fechados, além de trazer garrafa de água. A pesquisadora reforça que as trilhas são leves e indicadas para crianças, adultos e idosos.
A Capoeira do Black é um espaço de 8,5 hectares em regeneração há mais de 50 anos, equivalente a quase 12 campos de futebol. A pesquisa local já identificou mais de 1.000 árvores e arbustos, pertencentes a 260 espécies distribuídas em 54 famílias botânicas, além de uma diversidade significativa de insetos, pássaros e pequenos animais. “Aqui temos mais espécies de plantas do que em todo o Reino Unido”, exemplifica Joice Ferreira.
Importância da observação para conservação
O passeio estimula uma aproximação detalhada com o ambiente natural, observando folhas, troncos, insetos e fungos. Para a pesquisadora Lis Stegmann, do Museu Paraense Emílio Goeldi, essa atenção é fundamental para entender a complexa rede de vida que um fragmento verde urbano sustenta e para reconhecer a importância da conservação e regeneração das florestas locais.
Centro Capoeira e sua contribuição para a recuperação ambiental
O Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental – Capoeira – reúne mais de 180 pesquisadores de 33 instituições. O foco está na recuperação de ecossistemas degradados, promovendo ações colaborativas entre cientistas, povos tradicionais, agricultores familiares e gestores públicos. O centro é financiado pelo CNPq e conta com apoio do Global Centre on Biodiversity for Climate (GCBC), do Reino Unido.
