Maria Trindade de Araújo destaca a importância da reciclagem no Dia Mundial
Ananindeua, 17 de setembro de 2023 – Neste domingo (17), Dia Mundial da Reciclagem, a história de Maria Trindade de Araújo, de 53 anos, ganha destaque com o lançamento do livro “Mulheres que Reciclam o Futuro”, da escritora Viviane Mansi, realizado pela Rede Educare. Maria, que é presidente da Associação Cidadania para Todos, ressalta a importância da valorização dos catadores e da coleta seletiva para a preservação ambiental e melhorias sociais na Grande Belém.
Desafios da coleta seletiva na Grande Belém
Na região, a coleta pública seletiva de porta em porta ainda não é uma realidade na maioria dos bairros, o que faz com que o trabalho dos catadores de materiais recicláveis seja essencial. Maria e seus colegas coletam cerca de 100 toneladas de lixo reciclável por mês, mas esse número poderia ser ainda maior se houvesse melhorias na coleta seletiva pública e mais apoio aos catadores.
“Fazemos educação ambiental, porta a porta, e mesmo assim precisa o poder público reconhecer nosso trabalho. O desafio meu e das companheiras, que a maioria aqui são mulheres, é sermos reconhecidas e ter salário digno”, afirmou Maria em uma entrevista. Essa luta reflete a realidade de muitas trabalhadoras da reciclagem, que enfrentam desafios diários para garantir não apenas a sobrevivência, mas também o reconhecimento de suas contribuições ao meio ambiente.
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Uma trajetória de desafios e conquistas
Natural de Anajás, no Marajó, Maria deixou sua cidade natal ainda criança para estudar em Belém, mas enfrentou diversas dificuldades. Aos 32 anos, viu na catação de materiais uma forma de sobreviver e proteger seu filho após fugir da violência doméstica. Com mais de 10 anos de experiência no antigo lixão do Aurá, Maria se tornou uma voz ativa em mobilizações históricas por direitos e dignidade para os catadores.
“Nosso trabalho é importante para o meio ambiente, mas ainda não é reconhecido como deveria. A gente precisa ser respeitada e valorizada”, acrescenta Maria, que se identifica com a luta de outras catadoras em todo o país. O livro “Mulheres que Reciclam o Futuro” busca dar voz e rosto a essas trabalhadoras, reunindo histórias de coragem, superação e resiliência, enquanto destaca o trabalho de preservação ambiental que elas realizam.
Um chamado para a correta separação do lixo
Maria Trindade também fez um apelo para que a sociedade separe o lixo corretamente, destinando o material reciclável para cooperativas e associações de catadores. “Que toda a sociedade cuide do seu resíduo, separando o material reciclável e dando o destino correto para a associação e cooperativa de catadores, onde nós destinamos corretamente para as indústrias para voltar a ser reutilizado. A natureza agradece. Quem produz o lixo somos nós, então a gente tem que ter o cuidado de fazer essa destinação correta”.
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O livro será lançado em Brasília e estará disponível online, contribuindo para a visibilidade e valorização do trabalho das mulheres que atuam na reciclagem. A história de Maria Trindade de Araújo e de tantas outras catadoras é um lembrete da importância da coleta seletiva e do reconhecimento dos esforços dessas trabalhadoras na proteção do meio ambiente e na promoção de melhorias sociais na Grande Belém.
