Iniciativas para Melhorar o Abastecimento de Água
Belém enfrenta um histórico de abastecimento irregular de água, um problema que a população frequentemente menciona como um dos principais desafios da cidade. A capital paraense, dotada de uma rede de água antiga, lida com altos índices de perdas e falhas na distribuição. Em determinadas áreas, mais da metade da água tratada não chega às residências, devido a vazamentos, pressão inadequada e ligações clandestinas.
Para mudar esse cenário, a concessionária Águas do Pará deu início a um conjunto de ações em setembro de 2025, focadas na recuperação e modernização do sistema de abastecimento. Entre as iniciativas estão intervenções na infraestrutura, ampliação da produção e melhorias no tratamento de água. De acordo com a empresa, os primeiros resultados já podem ser percebidos gradativamente em várias regiões da cidade.
Mudanças no Modelo de Distribuição
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Especificamente no segundo setor, que abrange bairros como Batista Campos e Jurunas, um novo modelo de distribuição está em fase de implantação, com a expectativa de aumentar a vazão e atender mais de 32 mil residências. No nono setor, que inclui localidades como Pedreira, Sacramenta e Telégrafo, as intervenções priorizam a substituição de equipamentos obsoletos, alguns dos quais estão em operação desde a década de 1980. Entre as ações programadas, destaca-se a adequação da tensão elétrica dos sistemas, visando aumentar a segurança e reduzir falhas operacionais.
Melhoria na Qualidade da Água
Outra área de foco das intervenções é a qualidade da água fornecida. No quinto setor, que inclui os bairros Marco, Souza e Canudos, um novo sistema de filtração já está em funcionamento e beneficia mais de 100 mil moradores. A instalação de filtros com zeólita, uma tecnologia avançada, tem se mostrado eficaz na remoção de ferro e na redução da coloração da água, especialmente em áreas que dependem de poços.
Além disso, as Estações de Tratamento de Água (ETAs) estão passando por um processo de modernização em parceria com a Companhia de Saneamento do Pará. Juntas, essas empresas estão investindo cerca de R$ 220 milhões em melhorias operacionais. Na ETA Bolonha, novos filtros estão ampliando a capacidade de tratamento, enquanto na ETA São Brás as obras visam aumentar a produção e reforçar o abastecimento em Belém e na região metropolitana. Novos poços também estão sendo perfurados em áreas com baixa oferta de água, enquanto os poços antigos estão sendo limpos e reativados.
Desafios e Investimentos para Reduzir Perdas
A redução das perdas na distribuição de água é um dos maiores desafios enfrentados atualmente. Com mais da metade da água tratada não chegando aos consumidores, a concessionária adotou válvulas de controle de pressão e passou a utilizar equipamentos como geofones, que são essenciais na identificação de vazamentos ocultos.
Com a expectativa de recuperar cerca de 13,8 bilhões de litros de água que hoje se perdem no sistema até 2026, os investimentos realizados fazem parte de um plano mais abrangente. Somente em Belém, mais de R$ 100 milhões devem ser aplicados em 2026, dentro de um pacote de R$ 860 milhões previsto para todo o estado.
A Águas do Pará, responsável pelo abastecimento em Belém, Ananindeua e Marituba desde 2025, afirma que seu objetivo é universalizar o acesso à água até 2033. Contudo, a empresa ressalta que a recuperação do sistema requer tempo e intervenções contínuas para garantir melhorias duradouras no fornecimento.
