Diálogo entre Ciência e Gestão Ambiental na Amazônia
A valorização do conhecimento científico gerado nas unidades de conservação na Região Metropolitana de Belém ganhou um novo fôlego com a segunda edição do evento ‘Ciência na Floresta – Ciclo de Palestras’. Promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e pela Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB), essa iniciativa estabelece um espaço permanente para o diálogo entre ciência, gestão ambiental e a sociedade, ampliando as discussões sobre sustentabilidade na Amazônia.
Realizado na quarta-feira, dia 22, o encontro teve como tema ‘Bioeconomia inclusiva: pessoas, recursos naturais e sustentabilidade na APA Combu’. A professora Flávia Lucas, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), conduziu os debates, enfatizando a importância de desenvolver modelos econômicos que integram de forma equilibrada a conservação ambiental, a geração de renda e a valorização do conhecimento tradicional, especialmente em áreas habitadas por comunidades ribeirinhas e povos originários.
Durante a palestra, Flávia Lucas destacou que o evento foi um momento significativo para a troca de ideias, contando com a participação ativa do público, incluindo representantes de comunidades locais. Isso reforçou a necessidade de considerar diferentes perspectivas na formulação de soluções sustentáveis.
Promovendo Protagonismo e ODS
A professora ainda ressaltou que, no atual cenário global guiado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), é essencial que o debate sobre bioeconomia transceda visões simplistas. Para ela, a discussão deve ir além da mera exploração de recursos naturais ou da lógica industrial, englobando também os aspectos culturais, sociais e identitários das populações que historicamente convivem com esses territórios.
Lucas argumentou que qualquer iniciativa de bioeconomia deve reconhecer as comunidades como protagonistas. “Isso envolve compreender suas formas de vida, os desafios diários que enfrentam e seus sistemas de conhecimento, que incluem técnicas de manejo e o uso de diversas partes dos recursos naturais, como folhas, cascas e frutos, sempre em harmonia com o território e a identidade cultural”, sublinhou a especialista.
A pesquisadora ainda apresentou uma abordagem estruturada para o desenvolvimento da bioeconomia inclusiva, que começa com um diagnóstico social das comunidades. A próxima etapa envolve mapear os recursos disponíveis e as necessidades locais, para então identificar o potencial de cadeias produtivas sustentáveis que respeitem o tempo, os interesses e as escolhas dessas populações, levando em conta mercados em diferentes escalas.
Conectando Conhecimento e Ação Prática
O projeto “Ciência na Floresta” visa democratizar o acesso à ciência, conectando instituições de pesquisa, o setor produtivo e a sociedade civil. Alinhado à Agenda 2030, ele dialoga com os ODS 4 e 17, que promovem educação de qualidade e parcerias estratégicas. O objetivo é transformar o conhecimento técnico em ações concretas, contribuindo para a conservação da biodiversidade e o uso sustentável das unidades de conservação.
Na visão de Júlio Meyer, gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, o projeto consolida as unidades de conservação como laboratórios naturais. “O ‘Ciência na Floresta’ reafirma o papel das nossas Unidades de Conservação como espaços vivos de produção de conhecimento. Nossa meta é aproximar pesquisadores, estudantes e comunidades, fortalecendo uma cultura que valoriza a ciência aplicada à conservação”, afirmou.
Programação e Acessibilidade do Conhecimento
Com encontros mensais e uma programação variada ao longo do semestre, o ciclo de palestras reafirma a importância das unidades de conservação como centros de produção de conhecimento e inovação. Sabrina Campos, analista ambiental do Ideflor-Bio e coordenadora do ciclo, destacou que “ao compartilhar a ciência, ampliamos a capacidade de compreensão e engajamento da sociedade nas questões ambientais. Este ciclo representa uma oportunidade de transformar informações técnicas em aprendizado acessível e ações práticas no território”.
