Iniciativa da Assembleia Legislativa do Pará busca mitigar a discriminação racial no esporte
Belém, PA – Em um marco importante na luta contra a discriminação racial, a Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei Ordinária nº 328/2023. A votação ocorreu durante a Sessão Ordinária desta terça-feira (14), sob a autoria do deputado Carlos Bordalo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos. A proposta visa estabelecer a Política Estadual de Combate ao Racismo nos Estádios e Arenas Esportivas do Pará.
Segundo Bordalo, o contexto atual exige respostas prontas e efetivas. “Nos últimos anos, tivemos uma série de incidentes de racismo que afetaram atletas brasileiros no futebol europeu, tanto dentro quanto fora de campo. E, infelizmente, essa problemática também tem se intensificado em todo o Brasil”, ressaltou o deputado, enfatizando a necessidade de ações concretas.
O parlamentar foi enfático ao afirmar que, para combater essa realidade, é essencial o debate e a resistência. “O problema é real, mas qual é a nossa estratégia para enfrentá-lo? Se não nos unirmos contra isso, continuaremos testemunhando episódios lamentáveis de discriminação nos estádios. Assim, esta proposta representa um passo importante para reduzir o preconceito racial no ambiente esportivo, com a esperança de que, em um futuro próximo, tais casos deixem de existir, permitindo que vivamos em uma sociedade mais civilizada, pautada na empatia e no respeito”, adicionou Bordalo.
Os dados são alarmantes. O 10º Relatório da Discriminação Racial no Futebol revelou que, em 2023, foram contabilizados 136 casos de racismo durante as partidas, o que representa um aumento de quase 40% em relação a 2022, que registrou 98 incidentes. Desde 2016, esses números vêm crescendo de forma contínua. A comparação com 2014, ano em que começou o monitoramento pelo Observatório, revela um aumento impressionante de 444% nos casos, que saltaram de 25 para 136.
Essas estatísticas sublinham a relevância da nova política aprovada pela Alepa, que não apenas visa enfrentar os casos de discriminação dentro dos estádios, mas também promover um ambiente esportivo saudável e igualitário. Bordalo acredita que a implementação de medidas educativas e de conscientização será crucial para fomentar mudanças duradouras.
A criação da Política Estadual de Combate ao Racismo nos Estádios e Arenas Esportivas do Pará é um reflexo do comprometimento dos parlamentares em erradicar práticas discriminatórias e garantir que todos, independentemente de sua cor ou origem, possam desfrutar do esporte em um ambiente de respeito e dignidade.
Esta iniciativa é um exemplo de como a legislação pode atuar em favor da justiça social, mostrando que o esporte deve ser um espaço de inclusão, e não de discriminação. O combate ao racismo é uma luta que deve ser travada diariamente, e a Alepa, com essa nova lei, demonstra que está atenta a essa necessidade premente.
Aprovada em um momento crítico, essa proposta pode servir de inspiração para outras assembleias e legislativos pelo Brasil, reforçando a importância da união contra a discriminação de qualquer tipo e a promoção de valores que sustentem uma sociedade mais justa.
