Mudança de Rumos na Campanha de Flávio Bolsonaro
Após viralizar em março ao dançar ao som do funk “Zero Um, Novo Capitão” em eventos na Paraíba e em Rondônia, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem refletido sobre sua imagem pública. Nos últimos dias, ele buscou feedback de aliados sobre sua performance nas redes sociais. Entre as opiniões, a do deputado federal Gustavo Gayer (PL), que fez uma brincadeira insinuando que Flávio parecia um orangotango no palco. Apesar das risadas, assessores próximos alertaram o senador que os vídeos poderiam transmitir uma imagem de imaturidade em seu percurso político, especialmente considerando sua ambição de ser um presidenciável. Consciente do feedback, Flávio se comprometeu a não repetir a dança.
Na tentativa de amenizar a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro, Flávio tem demonstrado disposição para ouvir mais especialistas em comunicação, em contraste com a abordagem mais improvisada de seu pai. As ações recentes do senador nas redes sociais, como usar uma camisa com a frase “pai de menina” e permanecer em silêncio sobre o caso Master, foram planejadas estrategicamente. Sua dança no palco, na verdade, foi uma imitação de figuras como Javier Milei, presidente da Argentina, e Donald Trump, que também adotaram essa tática durante campanhas. Contudo, Flávio não se preparou adequadamente para esse tipo de performance.
Nova Equipe de Comunicação e Estratégias Digitais
Nos últimos dias, Flávio tem feito movimentos significativos para reforçar sua equipe de comunicação. Ele está próximo de fechar um acordo com Marcos Carvalho, um profissional que já foi desafeto de seu irmão Carlos, para liderar a estratégia digital para 2026. Carvalho foi coordenador de redes na primeira campanha de Jair Bolsonaro e teve um rompimento conturbado com a família, sendo retirado da equipe de transição após a vitória em 2018. Carlos Bolsonaro, que na época se incomodou com a notoriedade de Carvalho, usou suas redes sociais para criticar a busca por protagonismo dentro da campanha.
Investigações realizadas no Congresso já haviam mostrado a relevância de Carvalho nas campanhas. Em 2020, ele foi ouvido na CPI das Fake News para esclarecer sua suposta participação em disparos em massa de mensagens durante a eleição de Jair Bolsonaro. Mesmo negando as acusações, seu relacionamento com os Bolsonaro se deteriorou, e ele acabou declarando apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em eleições subsequentes.
Recursos Aumentados e Novas Parcerias
Com o aumento do fundo eleitoral do PL, Flávio espera ter acesso a recursos significativamente superiores aos das últimas eleições para investir em uma guerra digital. Um levantamento da prestação de contas da campanha de Jair Bolsonaro em 2018 revelou que foram gastos em torno de R$ 650 mil com a AM4, agência de Carvalho. Agora, o ex-presidente utilizou R$ 29 milhões dos R$ 67 milhões totais destinados a publicidade, incluindo rádio e TV, em apenas impulsionamento nas redes sociais. Flávio prevê um investimento ainda maior do que o feito por seu pai, com o PL triplicando o montante disponível para o fundo eleitoral, alcançando quase R$ 900 milhões.
Tamanha quantia tem levado Flávio a sonhar alto no que diz respeito ao marketing político. Ele tem conversado com Paulo Vasconcelos, o responsável por estratégias vitoriosas como a de Cláudio Castro, no Rio em 2022. No entanto, Vasconcelos está vinculado a um contrato com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que está se fortalecendo como candidato à presidência após a desistência de outros concorrentes.
O Futuro com Carlos Bolsonaro em Pauta
A relação com Carlos Bolsonaro, figura controversa dentro da família, continua sendo uma preocupação para qualquer profissional que considere trabalhar com Flávio. Após a saída de Marcos Carvalho em 2018, Carlos se tornou um crítico constante das campanhas, frequentemente criticando as estratégias implementadas pelo coordenador de comunicação de seu pai. Em um desabafo nas redes sociais, Carlos disparou em 2022: “Vou continuar fazendo o meu aqui e dane-se esse papo de profissionais do marketing!” Essa rivalidade interna pode ser um desafio significativo para qualquer nova abordagem que Flávio venha a adotar em sua campanha.
