Comemoração Simbólica pelo Aniversário do Mercado
Na última sexta-feira, dia 27, feirantes se reuniram para celebrar os 399 anos do Mercado do Ver-o-Peso, em Belém. A festa, que não contou com programação oficial por parte da prefeitura, teve seu encanto em uma celebração simples, mas cheia de significado. Reconhecida como a maior feira livre da América Latina, o Ver-o-Peso é um complexo arquitetônico e paisagístico que ocupa uma área de 25 mil metros quadrados e é considerado patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Os feirantes, em um gesto de união, prepararam um bolo de aniversário e cantaram parabéns no Mercado de Carnes, simbolizando todos os setores que compõem o complexo. A celebração foi organizada pelo Instituto Ver-o-Peso, presidido por Manoel Rendeiro, carinhosamente conhecido como ‘Didi’. Ele destacou a relevância da festa, que reafirma a união e a tradição dos trabalhadores que mantêm a essência do local viva.
Didi também explicou que o reconhecimento da data de fundação foi estabelecido há 25 anos, com a colaboração de uma historiadora, e desde então o instituto tem se empenhado em preservar a memória do mercado, promovendo as comemorações anuais que se tornaram parte da cultura local.
Cancelamento da Programação Oficial
A programação oficial que havia sido anunciada pela prefeitura de Belém na véspera do aniversário foi cancelada, o que deixou muitos feirantes desapontados. Apesar da ausência de atividades organizadas, a celebração feita pelos trabalhadores mostrou que a essência do Ver-o-Peso vai além de eventos formais.
Este ano, os feirantes reivindicam o reconhecimento das suas atividades centenárias como patrimônio cultural imaterial pelo Iphan, além da proteção da estrutura que já é tombada. Didi argumenta que práticas tradicionais, como a venda de açaí, pescado, hortifrúti, refeições e produtos regionais, existem há mais de 400 anos e merecem ser valorizadas. Para isso, ele já agendou reuniões com o Iphan e planeja mobilizar apoio do governo estadual e da prefeitura.
Ver-o-Peso: Um Patrimônio Cultural
O Mercado do Ver-o-Peso é um ícone da identidade paraense e um verdadeiro cartão-postal de Belém. Desde sua inauguração em 1625, no antigo Porto do Pirí, o espaço tem uma rica história que começa como um posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos, evoluindo para o grande mercado aberto que conhecemos hoje.
No século XVIII, Belém se tornou o principal entreposto comercial da Amazônia, centralizando o fluxo de produtos, como as riquezas da floresta, para mercados locais e internacionais. O Ver-o-Peso foi tombado pelo Iphan em 1977, reconhecido como um conjunto arquitetônico e paisagístico de grande valor histórico.
Ao longo dos séculos, o complexo passou por várias adaptações, especialmente durante a Belle Époque, período marcado por um intenso desenvolvimento cosmopolita no final do século XIX até o início da Primeira Guerra Mundial. Reformas significativas incluíram a construção do Mercado de Ferro, iniciado em 1899, e o Mercado Francisco Bolonha, ambos inaugurados em 1901, com influência de engenheiros europeus, como Bento Miranda e Raymundo Vianna.
Um Complexo Vibrante e Cultural
O Mercado de Ferro, com sua impressionante estrutura de ferro importada, cobertura em telha Marselha e torres art nouveau, destaca-se como um símbolo do Ver-o-Peso. Este complexo, com suas 25 mil m², inclui o Boulevard Castilhos França, os Mercados de Carne e Peixe, além de importantes praças e a Feira do Açaí. Mais do que um simples espaço comercial, o Ver-o-Peso é um centro de vida social e um ponto de intercâmbio cultural, onde práticas tradicionais dos feirantes estabelecem relações econômicas e simbólicas.
Além disso, o Mercado do Ver-o-Peso será sede da COP30, que ocorrerá em novembro, destacando ainda mais a relevância deste espaço para a cidade de Belém e para o Pará. A história continua viva e pulsante no coração da capital paraense.
